quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Educar para a paz é possível

Nunca se falou tanto em Educação para Paz como nos dias de hoje. E os motivos para este despertar são conhecidos e vividos diariamente por todos. A violência direta, aquela visível e explorada pela mídia, nunca esteve tão presente como neste início de século. Os meios de comunicação de massa permitem que a população entre em contato diariamente com a dura realidade mundial, gerando desta maneira conceitos na maioria das vezes mistificadas, tanto de paz, quanto de violência. As manchetes de jornal geram um falso sentimento de nascimento e multiplicação da violência: “a violência cresce...”, “a violência é uma epidemia descontrolada...”, “a onda de violência” etc. Contudo a violência não surgiu no último século, nem mesmo é um fenômeno causado por alguns poucos indivíduos que nasceram com o germe para o crime e a marginalidade. Tanto violência quanto paz são formas de solucionar conflitos, são invenções humanas que vêm sendo desenvolvidas ao longo da história da nossa civilização. Vivemos numa sociedade culturalmente violenta. A sociedade ocidental e capitalista cultiva a competição, o consumismo, o individualismo e justifica o uso da guerra como um meio de atingir a paz, compreendida, neste caso, como passividade e ausência total de conflitos.Um novo método: a paz Colocando a violência como algo cultivado, podemos afirmar, portanto, que ela não é algo natural, não faz parte da natureza humana e é um instrumento aprendido culturalmente para solucionar conflitos. Assim, se aprendemos ao longo da nossa existência a resolver as desavenças através da agressão, direta ou indireta, se aprendemos a destruir os outros são também capazes de aprender e construir uma nova maneira de enfrentar os conflitos, visto que paz e violência não são entes, não nascem do nada, não são fenômenos independentes de nossa vontade, são invenções humanas. Aqui entra a educação para a paz como peça chave na luta contra a violência. Nesta tomada de consciência de que a violência é um método de resolução de conflitos que vem sendo desenvolvido ao longo de nossa história humana, podemos, então, desenvolver e fortificar a paz como método, superando a violência. Entretanto educar para paz não significa domesticar, submeter-se, nem mesmo eliminar os conflitos existentes tanto na escola quanto na sociedade como um todo. Tal educação está fundamentada num conceito de paz contrário ao de estado de espírito de tranqüilidade, harmonia, calma e inexistência de problemas e conflitos, cultivados pela sociedade ocidental. A paz que aprendemos, além de ser extremante egoísta, pois não enxerga o outro, é impossível de ser colocada em prática, visto que os conflitos fazem parte da diversidade humana e a insatisfação e o desequilíbrio nos levam a evoluir e reconstruir as nossas imperfeições. Sob esta nova perspectiva, a paz não é um estado de espírito de harmonia passiva, sendo compreendida como movimento, ação, instrumento político em direção a relações de igualdade e justiça. A Educação para Paz consiste, portanto, na construção de uma nova maneira de interagir com o mundo, tanto nas escolas, quanto nas mais diversas instituições. Através de grupos de discussão e planejamento de ações uma nova cultura - a cultura da paz - vem se constituindo. O estímulo ao cultivo de espaços de discussão coletiva que possibilitam o despertar da condição de sujeitos históricos a partir do protagonismo propicia, educando para a paz, a criação de uma comunidade de trabalho e convivência que sonha e planeja um mundo melhor de paz e justiça social para todos, através da resolução não-violenta de conflitos.


Eveline Maria da Costa, professora de Filosofia na Rede Municipal de Porto Alegre, RS.


Artigo publicado no jornal Mundo Jovem, edição nº 354, março de 2005, página 3.
Queremos Paz... Corrente pela vida
A paz será realidade quando:o egoísmo der lugar à solidariedadea tristeza abrir passagem para a alegria o ódio deixar que o amor se instale a solidão bater asas e voar pra eternidade.Queremos ver de malas prontastoda insegurança,qualquer espécie de vingança,exclusão e violênciaserão palavras trocadaspela mais leve esperança.Vamos trazer de volta o amor,a união, a bondade,e o que dizer da amizadede mãos dadas com a lealdade?Queremos a humanidadeliberdade, fraternidade,compartilhar a verdade.Queremos um novo dicionáriocom algumas palavras banidasum dicionário com vida.Otimismo de poeta?Precisamos multiplicar sonhosSomar os nossos desejosDividir as esperançasDiminuir nosso medoVamos fazer da poesiaUma gigantesca correnteCom uma missão definidaContagiando pra vidaE para a Paz garantida.

Maria de Fátima Mota Moraes Lopes